Bloqueio italiano e o quebra-cabeça para o próximo desafio
A estreia do Manchester City na Champions League, agora sob o novo formato de liga, foi marcada por um duelo de xadrez tático no Etihad Stadium. O empate sem gols contra a Inter de Milão refletiu duas propostas distintas: enquanto os ingleses buscavam controlar a posse e construir o jogo desde a defesa, os italianos apostavam em uma retranca sólida, fechando os espaços e explorando estocadas rápidas nos contra-ataques. Apesar do domínio territorial dos Citizens, a muralha Nerazzurri prevaleceu.
O primeiro tempo mostrou equilíbrio nas oportunidades reais, embora o City tivesse a bola. A forte marcação italiana dificultava a criação, obrigando Haaland a trabalhar pelo alto — parando em boa defesa de Sommer — e De Bruyne a arriscar chutes que balançaram a rede apenas pelo lado de fora. A Inter, no entanto, não se limitou a defender. Marcus Thuram desperdiçou uma chance após passe de Taremi e, pouco depois, obrigou Ederson a uma grande intervenção, lance que acabou invalidado por impedimento. O goleiro brasileiro voltou a brilhar nos acréscimos da etapa inicial, espalmando para escanteio um chute de canhota de Carlos Augusto.
Na volta para o segundo tempo, o cenário de pressão se intensificou. O time de Pep Guardiola adiantou as linhas, sufocando a saída de bola adversária, mas esbarrava na falta de clareza nas finalizações. Phil Foden, em sua chance mais límpida, viu seu chute colocado passar por cima do travessão. A Inter mantinha a compostura defensiva e levava perigo quando subia ao ataque, embora pecasse no último passe. A melhor chance italiana veio dos pés de Lautaro Martínez, que, após receber de Barella, parou em defesa segura de Ederson.
Os minutos finais foram de ataque contra defesa. O City rondava a área, trocava passes, mas a retranca montada por Simone Inzaghi parecia intransponível. Gvardiol soltou uma bomba defendida por Sommer, e Foden, acionado por Doku, bateu para outra intervenção do goleiro suíço. Nos instantes derradeiros, Gündogan ainda cabeceou por cima, selando o placar zerado. O City tentou de tudo, mas somou apenas um ponto em uma noite onde a eficiência defensiva da Inter falou mais alto.
O foco vira para o Galatasaray: desfalques e novas soluções
Sem tempo para lamentações, a atenção de Pep Guardiola se volta imediatamente para o confronto decisivo de amanhã contra o Galatasaray. A necessidade de vitória no Etihad é imperativa, mas o treinador catalão enfrenta problemas na montagem do setor ofensivo. Antoine Semenyo é baixa por não estar inscrito na competição, enquanto Savinho e Oscar Bobb seguem no departamento médico. Restam, portanto, Erling Haaland, Omar Marmoush, Jeremy Doku, Rayan Cherki e Phil Foden como opções principais para o ataque.
O grande dilema gira em torno da condição física de Doku. O belga sofreu entradas duras tanto na derrota no clássico de Manchester quanto na vitória sobre o Wolves no último sábado. Caso ele não tenha condições de jogo, abre-se uma brecha interessante para uma mudança tática ousada: a entrada de Omar Marmoush ao lado de Haaland. Embora Guardiola costume utilizar Cherki e Foden como meias criativos, o duelo de amanhã pode ser o cenário ideal para testar uma dupla de ataque mais física e direta.
Uma parceria promissora no ataque
A possibilidade de escalar Haaland e Marmoush juntos traz um potencial ofensivo intrigante. As características dos dois se complementam: a presença física de Haaland atrai a atenção dos defensores, criando os espaços vitais para que Marmoush, atuando quase como um segundo atacante, faça suas infiltrações inteligentes na área. Seria uma combinação capaz de dar muita dor de cabeça à defesa do Galatasaray, que teria de lidar simultaneamente com a referência na área e a mobilidade do egípcio.
Para que essa engrenagem funcione, o City conta com peças capazes de municiar a dupla. Cherki e Foden possuem a visão de jogo necessária para encontrar os passes decisivos, enquanto os laterais Matheus Nunes e Nico O’Reilly têm sido fundamentais na temporada, garantindo a amplitude pelos flancos e cruzamentos perigosos. As ferramentas para “destravar” a defesa turca estão à disposição. Resta saber se Guardiola optará por sacrificar um de seus meias para promover essa união no ataque ou se manterá a estrutura habitual. O que é certo é que, após o empate na estreia, vencer o Galatasaray tornou-se obrigação, e a ousadia pode ser o caminho para reencontrar os gols.