O peso da camisa cruzmaltina: Das lembranças de Rafael Paiva ao reencontro histórico na Copa do Brasil
Sem clube no momento, Rafael Paiva decidiu falar abertamente sobre a montanha-russa que foi comandar o Vasco da Gama durante a temporada de 2024. Durante sua participação no “Podcast Rádio Itatiba”, gravado em sua cidade natal, o ex-treinador detalhou os bastidores de sua primeira experiência à frente de um elenco profissional. Bagagem não faltava, pelo menos nas categorias de base. Ele já havia passado pelos times sub-17 e sub-20 de Palmeiras, São Paulo e do próprio clube carioca. Segundo Paiva, essa vivência com grandes jogadores e a conquista de títulos importantes na base deram a casca necessária para encarar a pressão da Série A. A experiência, em suas próprias palavras, foi fantástica e sensacional.
A transição turbulenta e a magia de São Januário
A ascensão ao cargo principal aconteceu em meio a um cenário caótico. Paiva era o comandante do sub-20 quando Ramón Díaz deixou o clube após uma dura goleada de 4 a 0 para o Criciúma, logo na quarta rodada do Campeonato Brasileiro. Ele assumiu a responsabilidade interinamente por quatro partidas até a chegada de Álvaro Pacheco. O português, no entanto, não teve vida longa no Rio de Janeiro. Paiva relembrou que o europeu era um profissional excelente, mas sentiu o peso de treinar um time de massa no Brasil que não fosse um dos três grandes de seu país natal (Porto, Benfica ou Sporting). Após apenas quatro jogos, Pacheco saiu e a diretoria entregou o comando novamente ao interino.
A partir daí, a campanha ganhou contornos emocionantes, culminando em uma surpreendente chegada à semifinal da Copa do Brasil. Para o ex-comandante, a atmosfera de São Januário foi o grande diferencial dessa arrancada. Ele define o estádio como um lugar mágico, onde a torcida empurra o time de forma impressionante, tornando a vida dos adversários um verdadeiro inferno. De fato, o retrospecto em casa foi bastante sólido. Ele perdeu apenas uma partida sob seus domínios, justamente para o Internacional de Roger Machado, que vivia uma fase invicta na reta final da competição. Bater gigantes como São Paulo e Corinthians na Colina Histórica, ou encarar o Flamengo no Maracanã, foram momentos que marcaram sua passagem.
A boa fase, porém, encontrou seu limite. Uma indigesta sequência de quatro derrotas consecutivas entre as rodadas 32 e 35 custou o emprego do treinador. Ele deixou o clube com 46,6% de aproveitamento em 35 jogos disputados, somando 13 vitórias, 10 empates e 12 derrotas. Felipe Maestro, então diretor técnico, assumiu a missão nas três rodadas finais e conseguiu somar sete dos nove pontos possíveis, preparando o terreno para o atual sucessor, Fábio Carille.
Um fantasma do passado na estreia da Copa do Brasil
Agora, o Gigante da Colina vira a página e foca em escrever um novo capítulo no mata-mata nacional. O adversário da estreia nesta terça-feira, em Belém, traz à tona memórias de um passado distante e glorioso. O duelo contra o Paysandu marca o reencontro com um rival que o Vasco não vence há praticamente vinte anos. A última vitória cruzmaltina sobre o time paraense aconteceu no Brasileirão de 2005.
Naquela época, o clima era de pura tensão. O time carioca lutava para espantar o risco de rebaixamento sob o comando de Renato Gaúcho. O ídolo cumpriu a promessa de tirar o time do Z-4 e ainda garantiu uma vaga na Copa Sul-Americana. A imponente goleada por 4 a 0 em São Januário praticamente selou o destino do Paysandu, que acabou rebaixado para a Série B pouco tempo depois. Ao apito final, Renato protagonizou uma cena emblemática ao atravessar o campo para cumprimentar o técnico rival, ninguém menos que Carlos Alberto Torres, o eterno capitão do tri mundial do Brasil.
O jogo no ataque também teve seus atrativos e duelos particulares. O artilheiro Robgol deu bastante trabalho ao goleiro Roberto, mas passou em branco. Quem brilhou mesmo foi o setor ofensivo vascaíno. Diego e o garoto Morais abriram o caminho no segundo tempo de forma fulminante, antes de Romário fechar a conta balançando as redes duas vezes.
Aquela temporada foi um verdadeiro divisor de águas para Morais. Voltando de um empréstimo do Athletico-PR, onde havia conquistado o título estadual, o meia revelado na base vascaína engatou uma sequência brilhante de atuações no Brasileirão e ganhou projeção nacional. Desde essa goleada histórica, os caminhos dos dois clubes se cruzaram muito pouco. Houve apenas dois confrontos em 2016, pela Série B, ambos com vitória da equipe paraense. O embate desta semana não significa apenas o retorno do Vasco à Copa do Brasil após o vice-campeonato do ano passado. É também a oportunidade perfeita para quebrar um jejum de duas décadas e mostrar a força atual do elenco.