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Torneio de pênaltis em Samambaia inova e abre espaço para inclusão social

A 4ª edição do Torneio de Pênaltis de Samambaia ficou marcada na história do esporte amador do Distrito Federal por abrir espaço para a inclusão social. Isso porque, pela primeira vez, a competição contou com a participação de atletas com deficiência.

A ideia foi do fundador do projeto Eu e + 10, o motorista Renê Ramalho, que montou um time e inscreveu Wendell Baresi e Gislei Sira, dois jogadores que têm um dos membros inferiores amputados. Eles disputaram o campeonato no último domingo, 10 de abril, com outros 31 times, que não tinham atletas com deficiência.

“Os organizadores do torneio não colocaram dificuldades [sobre a participação dos atletas com deficiência]. Eles se disponibilizaram e disseram que o que eu precisasse, poderia contar com eles”, destacou Ramalho.

Ao DF+, o dono do projeto social contou que, para disputar a competição, Baresi e Sira fizeram uma preparação especial. De acordo com ele, a dupla e goleiro do time, o músico Luiz Neto, treinaram fundamentos no campo sintético da quadra 310, em Samambaia Sul, como forma de adaptação ao local sede campeonato.

“Participar de igual pra igual é muito gratificante, porque vemos que estamos em um nível alto. Acho que a nossa deficiência não existe mais quando participamos com ‘pessoas normais’. Eles que sentem o frio na barriga, porque pensam: ‘poxa, não vou perder pra uma pessoa que tem uma perna só'”, ressaltou Wendell Baresi.

Além do futebol, os dois atletas do Eu e + 10 também praticam futevôlei e vôlei sentado. De acordo com Baresi, o contato com outros esportes ajudou a diminuir a pressão durante a competição. Segundo ele, isso fez com que o foco da dupla fosse apenas a conquista do título de campeão do torneio de pênaltis.

Formato do torneio e resultados

Criado em 2020, o torneio chegou à 4ª edição contando com as categorias masculino e feminina. As mulheres, no entanto, só tiveram uma categoria exclusiva a partir do 3º campeonato. Antes, a competição não separava os homens das mulheres. As equipes são compostas por três batedores de pênalti e um goleiro.

Na edição de 2022, o campeonato teve a participação de 32 times masculinos e 10 femininos, que foram divididos em duas chaves após sorteio online. Nas disputas, cada equipe tinha direito a três cobranças de pênaltis e, aquelas que fizessem mais gols, eliminavam o adversário. No modelo de disputa masculino, os quatro melhores times receberam premiação em dinheiro e no feminino, apenas o top 3.

O time masculino do Eu e + 10 perdeu para a equipe dos Heinekeiros, nas quartas de finais, e conseguiu ficar entre os oito melhores do torneio. Na categoria, o algoz do elenco inscrito por Renê sagrou-se campeão ao vencer o Apacentar na final, levando o prêmio de R$ 2,2 mil.

“É um evento maravilhoso porque conseguiu reunir a comunidade depois de termos passado por um processo de pandemia. É um evento que trouxe de volta a alegria no rosto das pessoas. Só tenho a parabenizar os organizadores e dizer que, se eles puderem fazer [o torneio de pênaltis] mais vezes, seria melhor ainda porque é muito legal a energia”, afirmou Wendell Baresi.

Entre as mulheres, as atletas do Pimenta Esporte Clube levaram a melhor sobre o Shalke 12 e conquistaram o título. Na categoria feminina, o prêmio dado ao time campeão foi de R$ 1 mil.

Braian Bernardo

Estudante de jornalismo, apaixonado por futebol e torcedor do esporte candango.

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