Foto: arquivo pessoal

Por conta da covid-19, preparador físico do DF se vê preso na Arábia

Sair de casa apenas para ir à farmácia ou ao supermercado virou rotina desde que o novo coronavírus se espalhou pelos continentes. O preparador físico Antonio Carlos, mais conhecido como Cobal, tem vivido dessa forma, só que do outro lado do mundo.

Figurinha conhecida no futebol candango, Cobal trabalhava no futebol da Arábia Saudita até o início da pandemia, e agora está se vendo preso no país. Por isso, o preparador físico tenta voltar para o Brasil para passar por este momento ao lado da família.  

Depois de passar por Brasiliense, Brasília, Sobradinho, Luziânia, Formosa, Legião e Cruzeiro, além de outros times do futebol nacional, Cobal foi para o exterior e hoje trabalha no Al Khaleej, clube da Divisão 1 da Arábia Saudita.

Com o esporte parado desde o dia 14 de março, todos foram liberados dos treinos em respeito ao isolamento social. Como mora sozinho e não vê a família há quase um ano, Cobal quer voltar ao Brasil para enfrentar a pandemia aqui. “Não tenho condições de ficar aqui sem trabalhar, preso sozinho no apartamento 24 horas por dia. Faço parte de um grupo de brasileiros aqui na Arábia que não consegue voltar por não acharmos voos”, relata o preparador físico. “Estamos tentando contato com o Itamaraty para nos ajudar.”

Foto: arquivo pessoal

Segundo a Federação de Futebol do país, o esporte não deve voltar antes de agosto. Então, os campeonatos que seriam finalizados em maio seguirão até o final do ano. “Meu contrato ia até o dia 31 de maio, mas devido à pandemia, os contratos serão prorrogados até o término da liga”, afirmou Cobal, que espera ser repatriado com urgência. 

Situação na Arábia Saudita

O primeiro caso do novo coronavírus na Arábia Saudita foi constatado no dia 2 de março, em um passageiro que voltou do Irã. Um mês depois, no dia 2 de abril, cidades como Meca e Medina já tinham toque de recolher de 24 horas após a confirmação de mais de 1.700 pessoas e 16 mortes. 

Em Dammam, onde mora Cobal, também foi imposto um toque de recolher de 24 horas. Se houver a necessidade de ir ao supermercado ou à farmácia, precisa ser até às 15h, com no máximo duas pessoas no carro e no seu próprio bairro, e ainda mostrar o comprovante de compras para a polícia. 

A prática de atividades físicas nas ruas está proibida sob patrulha policial e com pena de multa. Várias fronteiras de cidades já foram fechadas. Até o dia 18 de abril, eram 8.274 casos confirmados e 92 mortes decorrentes da doença. 

Resposta do Itamaraty

Em contato com o DF Sports+, o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) disse estar em contato com o grupo de brasileiros na Arábia para tentar viabilizar o retorno deles. “Temos conhecimento da situação de seis brasileiros retidos na Arábia Saudita em decorrência das restrições de movimentação provocadas pela pandemia da covid-19”, afirma a pasta.

Como as fronteiras terrestres e aéreas estão fechadas, as opções de repatriação foram diminuídas. Contudo, o Itamaraty reforça que as negociações para repatriação estão em andamento, e que as representações (embaixadas) no exterior dispõem de verbas de assistência para casos emergenciais, mas sem previsão orçamentária para concessão de auxílio continuado. Outras soluções também poderão ser analisadas, a depender da evolução dos acontecimentos e do encerramento das fronteiras.

Camila Bairros

Jornalista pós-graduada em jornalismo digital. Escrevo sobre o esporte candango e nas horas vagas assisto mais futebol

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