Foto: Antônio Penedo

Brasília lava a alma no NBB

Depois da pausa no Novo Basquete Brasil (NBB), o Brasília Basquete voltou à quadra nesta quarta-feira (24), no Ginásio Professor Hugo Ramos, em Mogi das Cruzes-SP. O duelo foi contra os paulistas do Pinheiros, que estavam com sete jogadores e o técnico afastados por conta da covid-19, e a meta candanga era a de reabilitação na competição.

Uma das três vitórias dos brasilienses no campeonato foi contra esse adversário, no primeiro turno, por 84×78. No returno, a vitória veio mais fácil: 97×52, parciais de 14×7 / 26×10 / 29×14 / 28×21. Mesmo com Yeager machucado – o destaque da equipe candanga teve uma lesão muscular na coxa e deve ficar 30 dias fora – o jovem time paulista, com apenas sete jogadores disponíveis, não foi páreo para os candangos.

Com o resultado de hoje, o Brasília voltou a vencer – agora são duas vitórias nos últimos quatro jogos. A equipe espera embalar de vez para sair da última posição – na próxima sexta-feira (26) enfrentará o penúltimo, Caxias, e pode igualar a campanha do adversário em caso de vitória. O Pinheiros mostrou que vai sofrer nos próximos jogos sem seus principais jogadores, porém os jovens provaram que podem auxiliar o time no futuro.

Ricardo Oliveira colocou o Brasília para começar com Pedrinho Rava, Nezinho, Arthur, Laster e Caio Torres. O Pinheiros, que teve o assistente Edson Matos substituindo o técnico David Pelosini, foi escalado com Gabriel, Capela, Jamison, Maicon e Wesley.

Desde o início os candangos dominaram o duelo contra a jovem equipe paulista. Em nenhum momento o Brasília passou algum aperto e o duelo desta tarde foi essencial para a equipe retomar a confiança na reta final do NBB. A vitória tranquila foi marcada pela boa atuação coletiva do time, com vários jogadores atuando e marcando pontos.

O ala Arthur foi, junto com Gabriel (armador do Pinheiros), o cestinha da partida com 16 pontos. Diversos outros atletas brasilienses ultrapassaram os 10 pontos nesta tarde: Jefferson (14), Laster (14), Nezinho (11), Gemerson (10) e Marcelão (10). O último, pivô reserva da equipe, ainda conseguiu um duplo-duplo com seus 12 rebotes – Caio Torres, pivô titular, contribuiu com 11 rebotes.

O jogo

Primeiro quarto

A primeira parte da partida foi lenta e recheada de erros de ambos os lados. O Pinheiros fez a primeira cesta com Capela, mas os brasilienses viraram com Arthur, Laster, Pedrinho Rava e Caio Torres: 7×2. Com muitas falhas nas tentativas de arremessos, poucas cestas caíram até o fim do primeiro período, a última com Caio Torres marcou 14×7 Brasília no placar.

Com muitos períodos sem pontuações de ambos os times e aproveitamentos pífios – 28% dos paulistas e 50% dos candangos nos arremessos de dois e 12% e 14% do perímetro – a parcial teve placar baixo e os maiores pontuadores foram os alas brasilienses Arthur e Laster com quatro pontos cada.

Segundo quarto

A volta para a quadra foi com o Brasília avassalador para cima dos meninos do Pinheiros, com uma bela bola do perímetro de Nezinho que ampliou a vantagem para 19×7. Os armadores Tiago, 17 anos, e Gabriel, 19, mostraram sinais de reação paulistana com dois arremessos de três e um do garrafão, colocando 21×15 no placar.

Mas os candangos engataram sete ataques pontuando consecutivamente, com direito a cinco cestas do perímetro, e aumentaram a diferença para 25 pontos. Capela ainda guardou uma antes do intervalo para tirar um pouco da desvantagem paulistana: 40×17.

O armador Nezinho e o ala/armador Jefferson foram os maiores pontuadores do período, seis pontos cada, marcado por uma boa atuação coletiva dos brasilienses. A equipe acertou seis das 12 tentativas de longe na etapa. Pelo lado paulista, Gabriel – que é irmão do Jefferson – fez cinco dos 10 pontos da equipe.

Um dos jovens do Pinheiros que mais se destacou na primeira parte do jogo, o armador Tiago falou um pouco sobre o duelo. “Viemos muito desfalcados, praticamente só meninos, e precisamos agarrar essa oportunidade, não é sempre que poderemos jogar tanto tempo contra equipes do NBB. Estamos medrosos nas tomadas de decisões e nos precipitando. O Brasília tem muita experiência e, jogando o jogo deles, abriu uma boa vantagem”.

O ala/armador brasiliense Jefferson falou sobre a situação da partida e explicou um pouco sobre os erros da sua equipe. “Nosso time vem sofrendo a temporada inteira com lesões e casos positivos de covid-19, mas hoje foram os adversários que sentiram com isso. Com isso, o ritmo deles está diferente hoje e nós estamos nos precipitando. Precisamos ter mais calma para errar menos em quadra”.

Foto: Antônio Penedo
Terceiro quarto

O duelo voltou com o Pinheiros mostrando garra para tentar diminuir um pouco o prejuízo do duelo. Com trocas de pontos das equipes, o Brasília aumentou em apenas cinco a sua vantagem na primeira parte do quarto: 56×28.

Mas depois disso, os candangos novamente engataram várias cestas seguidas, com bom aproveitamento do perímetro, principalmente de Pedrinho Rava, para abrir 39 pontos de vantagem. Os paulistas ainda cortaram a desvantagem em um antes do fim do período: 69×31. Arthur foi o grande destaque da parcial com nove pontos.

Último quarto

O Brasília aproveitou que o jogo já estava definido para fazer rotação e dar uma importante minutagem para alguns atletas do elenco. Isso deixou o jogo mais aberto e disputado, com muitas trocas de cestas. Os brasilienses começaram ampliando a diferença e viram o menino Tiago converter bolas do garrafão. Depois de uma cesta de Jefferson o placar marcou 80×36.

A desvantagem paulista não se modificou muito e Gabriel auxiliou bastante sua equipe na parte final do último período. O pivô Marcelão fez sua parte para manter a confortável vantagem candanga em quadra e, depois de duas faltas seguidas a favor do Pinheiros, a partida acabou com 97×52 para o Brasília.

Os irmãos Jefferson, do Brasília, e Gabriel, do Pinheiros, lideraram as suas equipes e foram os cestinhas do período, oito e sete pontos. As grandes diferenças do duelo foram no aproveitamento de três pontos, nas assistências e nos rebotes, estatísticas lideradas pelos brasilienses com larga vantagem.

Fim de jogo

A vitória candanga, além de reabilitar a equipe na competição, auxiliou o rival local Cerrado, que batalha contra o próprio Pinheiros pela 12ª posição na tabela e jogará logo mais, às 20 horas, contra o Mogi. Ao Brasília resta manter o bom momento e melhorar seu desempenho nesta temporada do NBB.

O experiente armador Nezinho comentou sobre a relevância do triunfo de hoje. “Resultado importante, apesar dos desfalques do Pinheiros. Passamos por isso também e sabemos como é difícil jogar dessa maneira. A partida foi legal, precisávamos da vitória e conseguimos fazer o nosso jogo, marcando bem os bons jovens do adversário, como o Gabriel e o Capela”.

Quem também falou da partida foi o menino Gabriel, de 19 anos. “Tivemos uma experiência inédita em quadra, de vários jovens com oportunidade de jogar muitos minutos, algo inesperado. Um momento muito bom, que nos marcará. Foi difícil sem os atletas experientes, mas entregamos tudo que conseguimos dentro de quadra”.

Lucas Bohrer

Jornalista esportivo formado em Comunicação Organizacional pela UnB. Viciado em acompanhar esportes e fascinado pela ideia de poder dar mais visibilidade a modalidades geralmente esquecidas.

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Lucas Bohrer

Um comentário em “Brasília lava a alma no NBB

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    24 de fevereiro de 2021 em 20:26
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    👍🏻Vitória merecida e desejada para o basquete de Brasília 😀

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