Foto: arquivo pessoal

Conheça Clara Braga, brasiliense prodígio do squash

Nos esportes mais populares no país, garotos considerados prodígios atraem os grandes holofotes da mídia e de empresas querendo investir em suas carreiras. No futebol, por exemplo, um adolescente já é tratado como craque desde as categorias de base, com multas rescisórias milionárias e fornecedoras de material esportivo digladiando para assinar um contrato de exclusividade.

Mas no mundo dos esportes menos conhecidos, a história é diferente. Até mesmo um atleta considerado um grande nome da modalidade sofrem com sérias dificuldades enfrentadas e veem a carreira ficar em xeque por vezes. É o caso da brasiliense Clara Braga, atual campeã brasileira de squash na categoria sub-15.

A adolescente de apenas 14 anos é considerada um fenômeno dentro do squash. Clara é atual líder do ranking juvenil brasileiro, e ocupa a quarta colocação no ranking sul-americano da categoria. Mesmo já estando no nível de atletas de categorias adultas, a jovem atleta teme sobre o futuro de sua carreira com a falta de apoio e patrocínio.

Nadando para o squash

Apesar de se destacar no squash, o primeiro contato de Clara com a prática esportiva foi através da natação, aos sete anos de idade. A mãe da atleta, Nitza Tenenblat, conta que orientou Clara e seu irmão mais velho, Yuri, a escolherem uma atividade para praticarem durante o período em que ela estivesse no trabalho, e eles optaram por natação. Porém, os dois não curtiram muito o esporte.

“Eu sou professora da UnB, e há sete anos eu dava aula às segundas, quartas e sextas. Falei para Clara e Yuri que eles teriam que participar de duas atividades físicas nesse período, e recomendei que uma fosse a natação. Só que os dois não gostavam e, com o tempo, descobri que eles matavam as aulas. Conversei com os dois e eles decidiram abrir mão da modalidade. O Yuri se interessou por squash, e a Clara, muito colada nele, começou a praticar também. A partir daí, virou a grande paixão da vida dela”, comentou.

Dedicação, amor e competitividade

Sete anos se passaram desde o primeiro contato de Clara com o squash. Hoje, a adolescente divide o tempo entre estudos, amigos, o esporte e outras atividades comuns em seu núcleo familiar e social. Mesmo com uma agenda tão ocupada, a jovem destaca que não há nada em que ela goste mais do que estar nas quadras batendo uma bola. “O squash é tudo para mim. Esse esporte é a única coisa que não me canso de fazer. É isso que quero para o meu futuro. Se tivesse uma palavra pra descrever, com certeza seria amor”, relata Clara.

Nitza conta que sua rotina de vida acaba sendo impacta pela paixão da filha. Mesmo depois dos treinos e até nos dias de folga, Clara continua querendo jogar. “Ela treina no Capital Squash Center durante a semana, mas até mesmo aos domingos eu acabo levando ela para jogar. As mesas do Capital Squash acabam sendo meu local de trabalho, pois fico ali por horas esperando ela”, completou Nitza, reforçado que esse elo de Clara com o esporte é algo indescritível.

A competitividade também é um fator que estimula Clara a querer jogar sempre que pode. A Capital Squash Center, seu local de treinamento, tem um ranking interno entre os professores, alunos e atletas que ali treinam. A jovem ocupa a 68ª posição, sendo a única adolescente de 14 anos entre os 100 melhores. Durante o mês, Clara pode desafiar até cinco jogadores mais bem ranqueados que ela e, se vencer, sobe de colocação.

Rotina de treinamentos

Para manter esse nível competitivo, Clara segue um rigoroso cronograma de treinamentos. Ela treina a parte técnica, física e psicológica três vezes na semana com o renomado técnico Diego Bolzan, que já esteve à frente da seleção brasileira de squash. Em outros três dias da semana, ela aprimora o físico com o acompanhamento da mãe.

Para Diego, no nível técnico que Clara se encontra atualmente, o principal foco em seu treinamento está na parte psicológica. “Eu tento passar muito pra ela o lado emocional de jogador. Respeitando a evolução da idade, sabendo que ela está em fase de crescimento, buscamos não trabalhar com algo referente a muito peso e tentamos melhorar os movimentos e a agilidade dela em quadra”, explica. “Claro que a parte emocional pesa muito, pois ela hoje é a melhor da idade dela no Brasil. Portanto, temos que orientar para que isso não suba à cabeça. Outro ponto é que ela precisa ser testada nível internacional, e pode ser que não consiga ter o mesmo rendimento, aí ela precisa ter a maturidade para não desistir”, ressalta o treinador.

Clara Braga e seu treinador, Diego Bolzan. Foto: arquivo pessoal

Visando essa experiência internacional, Clara está trabalhando duro para participar em dezembro do US Open, nos Estados Unidos, maior competição de squash no mundo para categorias até o sub-19.

Para Diego, participar desse torneio é um passo fundamental para que a jovem consiga construir uma carreira sólida. “Vamos observar as dificuldades e teremos uns três ou quatro anos para trabalhar e melhorar seu jogo, para que quando ela completar seus 18 anos, ela já tenha a bagagem necessária para seguir sua carreira entre os melhores na categoria adulta”, afirma.

Dificuldades em busca do sonho

Mesmo sendo a maior promessa do squash brasileiro, a jovem atleta teme pela própria carreira por conta das dificuldades enfrentadas pela falta de apoio financeiro. “O apoio é o que vai me ajudar a crescer. Hoje no Brasil são poucas atletas que disputam o juvenil feminino. Então, para seguir com competitividade, é preciso ir para fora do país”, explica Clara.

“Eu nunca vou parar de jogar, pois amo esse esporte. Porém, sem apoio, ficará mais difícil de conseguir chegar ao meu objetivo, que é estar entre os melhores do mundo.”

Clara Braga, atleta brasiliense de squash

Participar do US Open pode ser a virada na carreira de Clara, mas os custos da viagem quase impediram a atleta de se inscrever. Hoje ela conta com três apoiadores: seu treinador, Diego, que oferece um desconto no valor das aulas e permite que Clara treine no dia e no horário que ela quiser; a Capital Squash Center, que ajuda com a parte de estrutura de treino; e seu nutricionista, Gabriel Bueno, que abraçou a causa e ajuda a pequena jogadora a manter uma alimentação equilibrada e condizente com o que ela precisa para estar bem nas quadras.

Saiba como ajudar!

Mesmo com o apoio dos profissionais acima citados, Nitza e Clara estão temorosas de não conseguir bancar as despesas da principal competição da precoce — mas vitoriosa — carreira da adolescente. Por isso, uma rifa de uma raquete de squash foi criada para levantar fundos durante os dias de disputa do US Open. A participação de Clara no certame está assegurada, mas ainda assim, uma segunda raquete está sendo rifada para eventuais imprevistos que possam acontecer em terras americanas.

Interessados em apoiar ou em adquirir a rifa, basta entrar em contato com Nitza Tenenblat, mãe e empresária de Clara, pelo telefone (61) 98123-6433.

André Gomes

Um apaixonado por esportes (com um carinho especial por futebol, basquete, surf e skate). Defende a ideia de que, por questões éticas, todo jornalista deve revelar o time que torce.

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