Atletismo paralímpico conquista nove medalhas para Brasília

O atletismo do Distrito Federal mostrou talento e trouxe nove medalhas durante os Paralimpíadas Escolares. Duas das maiores promessas do esporte, Fernando Alves, de 14 anos, e Kemmilly Gabrielle, de 16, ganharam cinco delas. Ambos são alunos do Centro Olímpico e Paralímpico de Brazlândia (COP). Confira a história dos dois:

Asas nos pés

Fernando (à esquerda) subindo ao pódio e ganhando mais uma medalha

Fernando leva desde pequeno um apelido curioso: ele é o “menino com asas nos pés”. Apesar de não ter mais a prótese nas duas pernas e não correr mais com a ponta dos dedos como fazia antes, ele esbanjou velocidade para conseguir a medalha de prata na categoria T-35, nos 250 metros, e atingir o tempo de 11,62 segundos. Fernando ainda ganhou mais duas medalhas no último dia de competições: um ouro nos 75 metros e outro no arremesso de peso.

O jovem foi o garoto-propaganda dos cartazes distribuídos nas escolas, falando sobre as Paralimpíadas Escolares. Ele nasceu com apenas cinco meses, de uma gravidez prematura e de risco, em Balneário Camboriú-SC. Ele acabou ficando em coma, vindo a ter displasia e paralisia cerebral.

A primeira competição de Fernando foi em agosto deste ano, quando no Centro Olímpico e Paralímpico do Gama, durante os Jogos Escolares Paralímpicos do DF, conquistou três medalhas de ouro.

Voa, passarinho!

Kemmilly (à esquerda) mostra superação e leva duas medalhas

Kemilly é uma prova viva de superação e dedicação. Nascida com paralisia cerebral, a jovem tem a coordenação motora comprometida e o lado direito totalmente atrofiado. Ela passou por tratamento no hospital Sarah Kubitschek durante 15 anos, apresentando ano a ano uma grande evolução.

Por ter sofrido bullying, Kemilly chegou a se isolar por diversas vezes da sociedade. Mas foi aí que a mãe, Valdirene, buscou a solução para a jovem e a matriculou em um curso gratuito de inclusão digital. A professora, Sheila Avellino, coordenadora de pessoas com deficiência, vivia de olho na garota e percebeu que ela tinha um grande talento para o atletismo.

Em determinado momento, Sheila convidou a agora atleta para praticar esportes no Centro Olímpico e Paralímpico de Brazlândia. Sheilla passou, juntamente ao professor Tiago Moreira, a treinar a garota há cerca de três anos, na pista de atletismo da Secretaria de Esporte e Lazer, na mesma região administrativa. A professora tem viajado com Kemilly nas competições.

Kemmilly acabou ganhando o apelido de passarinho por ter 1,53m. Mesmo com baixa estatura, o desempenho na competição foi grandioso: duas medalhas de prata no arremesso de peso e nos 100 metros na categoria T-37. A jovem também disputou a prova dos 400 metros, porém não conseguiu o pódio.

Já é a terceira vez que Kemilly disputa a competição. Na primeira, em 2017, foram duas medalhas, prata e bronze. Já no ano passado, vieram três bronzes.

Feliz, a atleta comenta sobre a superação das dificuldades que teve na vida. “Graças ao esporte aprendi a me dar valor e, hoje, as pessoas que me xingavam pela minha deficiência me respeitam, porque também aprendi a impor respeito”, afirma.

Outras medalhas

As outras medalhas do atletismo vieram com outros bons nomes do esporte de Brasília. Suzany Cordeiro e Gabriel Moura levaram o ouro no arremesso de peso. Moura também conquistou a prata nos 150 metros e o bronze no salto em distância. Vyctor Matias alcançou o lugar mais alto do pódio no salto em distância, além de ficar com a prata nos 100 metros.

Rômulo Maia

Jornalista e goleiro de futebol. Apaixonado por todos os tipos de esportes e pelo Jornalismo. Defende que as mulheres tenham as mesmas oportunidades que os homens, e que os mais carentes tenham incentivo à prática do desporto. "O esporte é a ferramenta de inserção social mais eficaz, pois o resultado é imediato e as transformações são surpreendentes."

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