Com um pé na elite e uma mão na taça, segredo do sucesso do Paranoá está na união do grupo

No longínquo dia 19 de janeiro de 2019, a diretoria do Paranoá Esporte Clube sentava-se junto à administração da cidade para definir o local do mando de campo da equipe para a disputa da segunda divisão do DF, a Segundinha, que começaria meses adiante. Avançando alguns dias no tempo, eis que o Paranoá apresentava seu novo elenco, que já contava com, Klysman e Dougão (que viriam a se destacar posteriormente) e sua comissão técnica, formada pelo treinador Vandinho Silva e o auxiliar Phillippi Coutinho.

Àquela altura, talvez os assíduos leitores do DF Sports+ e fiéis entusiastas do futebol de Brasília não tenham notado que a movimentação do clube em prol de fechar sua delegação para a disputa da Segundinha não foi nada badalada. Mas holofotes em cima do trabalho de um clube de futebol nem sempre significam sucesso e a discrição pode muito bem ser uma arma a ser utilizada a favor de todos. Esse foi o caso dos bastidores do Paranoá antes do pontapé inicial da competição. Vandinho comenta a respeito. Ouça:

Hoje, apenas duas rodadas para o fim da Segundinha, a Cobra Sucuri encontra-se com a responsabilidade de ocupar, isoladamente, a liderança da competição. Foram 17 pontos conquistados em sete partidas disputadas, sendo cinco vitórias e dois empates. Ao lado do terceiro colocado Botafogo-DF (curiosamente o próximo adversário na rodada deste fim de semana e direto concorrente à vaga na elite), as equipes são as duas únicas agremiações invictas do certame.

Números extremamente expressivos, que dá ao Paranoá o luxo de estar a uma vitória do grande objetivo da temporada: o retorno à primeira divisão. O título, como explica o próprio treinador Vandinho Silva, é consequência: “A gente espera fazer um trabalho bem feito nesses dois dias que faltam para o jogo contra o Botafogo-DF, para que possamos ser coroados com o acesso, pois é o nosso objetivo principal. O título é consequência.”

Vandinho e a equipe colhem os frutos de uma boa temporada. Em sete jogos, nada de derrota. Foto: Gabriel Lopes Mesquita/DF Sports+

Para o treinador, o bom desempenho da equipe deve-se principalmente ao trabalho feito por toda a comissão técnica: “A gente tem a alegria de ter uma comissão que faz muito bem o seu papel. Em relação ao ataque, o sucesso é resultado do trabalho de posicionamento tático que o Phillippi faz muito bem feito. Aqui a gente busca essa linha, onde toda comissão atua”, explica. O staff do Paranoá é composto pelo fisiologista Rafael Coutinho, pelo auxiliar de preparação física Leonardo, pelo roupeiro Herculano, e pelos diretores Felipe e Alcides.

“A gente delega as funções, como quem reparte um bolo. A partir daí, cada um faz o seu, e faz bem feito.”

Vandinho Silva, técnico do Paranoá

Defesa sólida

O comandante celebra a qualidade técnica dos jogadores, destacando os defensores: “Essa campanha que a gente tem feito, graças a Deus, se dá também pela qualidade técnica dos atletas. A gente tem uma zaga muito sólida, quase beirando a perfeição”, diz, orgulhoso.

Defesa da Cobra Sucuri foi furada apenas três vezes, por Ceilandense, Planaltina e Sesp/Samambaense. Foto: Gabriel Lopes Mesquita/DF Sports+

A dupla de zaga, formada por Eduardo José e Lúcio, é alvo de elogios da comissão técnica. Foram apenas três gols sofridos durante o campeonato e, além do fator tático, deve-se destacar a experiência dos jogadores. Lúcio, apesar de jovem, já passou por Capital e Gama, onde pôde crescer bastante como defensor. Eduardo tem vasta rodagem no futebol de Brasília e também defendeu as cores do alviverde, tal qual o companheiro de zaga.

Arqueiros experientes

Os goleiros do Paranoá também têm grande destaque na equipe. Matheus Lorenzo, ex-Capital, e Bismark, ex-Gama, são os principais responsáveis por cuidar das metas azuis, posição que ainda conta com jovens arqueiros provenientes da base da equipe. Treinados pelo lendário Adalberto Biza, experiente preparador de goleiros do futebol de Brasília, Bismark e Lorenzo são destaques da posição do futebol local.

Goleiros do Paranoá contam com o bom sistema defensivo, mas salvam o time quando é preciso. Foto: Gabriel Lopes Mesquita/DF Sports

Para o preparador de goleiros, o grande diferencial do líder da Segundinha está na combinação entre a qualidade técnica dos atletas e a experiência de toda a comissão. “O trabalho defensivo no Paranoá tem sido priorizado de uma forma diferente. Eu acho que o professor Vandinho pensa primeiro em não levar o gol para depois atacar. O que eu vejo hoje nessa segunda divisão é que todas as equipes que estão nas primeiras posições têm bons goleiros e zagueiros. O grande diferencial no Paranoá, no entanto, é que temos conseguido conciliar muito bem a experiência da comissão com a qualidade dos atletas. O resultado é esse: apenas três gols sofridos em sete jogos”, analisa Biza.

Ataque de ponta

Mas não é só de defesa que vive um grande time. E o Paranoá tem excelentes nomes na parte ofensiva de seu esquema tático. A começar pelo lateral João Magalhães: de excelente explosão física e habilidade com a bola, ele tem recursos para atuar tanto de lateral como de ponta, no ataque. Além dele, o meia Dougão e o atacante Wisman, campeões pelo Capital em 2018, se consolidaram como titulares absolutos, peças fundamentais nos esquemas táticos propostos pela dupla Coutinho e Vandinho.

O artilheiro

A grande cereja do bolo fica nas mãos, ou melhor, nos pés de Klysman. Artilheiro da competição com seis gols marcados até aqui, Klysman tem uma interessante história de superação psicologicamente pessoal: decepcionado com o futebol, o jogador pensava em pendurar as chuteiras antes de acertar com o Paranoá e atingir a excelente fase em que vive. É o que nos explica Vandinho Silva: “A gente não pode deixar de citar o Klysman (como destaque do elenco), que é o artilheiro do campeonato. É um jogador que estava querendo desistir do futebol, desiludido, e a gente realizou esse trabalho de fazê-lo acreditar no próprio potencial. E ele está mostrando que ele tem potencial para fazer os gols, e vem fazendo”, conta o treinador.

Vandinho faz questão de exaltar, por fim, a força do conjunto. Segundo o treinador, eles se ajudam, e isso resulta em um bom desempenho dentro de campo.

Trabalho físico

Além do trabalho tático exercido por Coutinho e Vandinho, há de se destacar, por fim, o trabalho físico, delegado às mãos do especialista Luiz Carlos, preparador físico do Paranoá. Luiz explica que a comissão têm vencido adversidades. Muitos atletas disputaram o Candangão e vêm de uma temporada exigente, ou seja, já alcançaram seus limites físicos. Além disso, o clima seco de Brasília nessa época do ano exige ainda mais dos jogadores, fisiologicamente falando. Por sorte, a equipe é muito jovem e tem se mantido em boa forma – até mesmo os mais experientes.

Luiz revela que isso é consequência de um estudo feito anteriormente. “Nós fizemos um estudo de acompanhamento na pré-temporada. Começamos a nos preparar antes dos adversários e, com isso, conseguimos identificar o nível físico de todos. Conciliamos e chegamos a esse alto nível atual. Todos estão no limite, pois estão jogando desde o início do ano, mas não tem ninguém lesionado”, explica o preparador.

Sem salto alto

Apesar do bom momento, de estar com um pé na primeira divisão e uma mão na taça, a comissão técnica quer afastar o sentimento de vitória precoce da cabeça dos atletas. Perguntado sobre quais erros não cometer para não deixar que a vaga escape por entre os dedos nessa reta final, Vandinho explica que o foco total é no psicológico do time: “A gente não pode achar que já ganhou e estamos trabalhando muito nisso. Estamos na ponta da tabela desde o início do campeonato, mas tudo pode acontecer. Estamos trabalhando para que nada dê errado e a gente consiga a vitória no sábado.”

O mesmo diz o artilheiro Klysman, que preza pela concentração da equipe: “Temos que manter a mesma postura. Se chegamos até aqui, não foi por acaso. Não tem o que mudar, além de ter mais concentração. Temos que ter o máximo de atenção possível e colocar em prática aquilo que a gente já vem fazendo”, comenta o centroavante.

Sobre a artilharia, Klysman afirma que não está focado em performance pessoal.

Decisão

O Paranoá, líder da Segundinha com 17 pontos, enfrenta o Botafogo-DF, terceiro colocado, com 15. Matematicamente, a Sucuri não termina a oitava rodada com o título em hipótese alguma. Entenda o que pode acontecer no jogo deste sábado (12), às 10h30:

Se o Paranoá vencer e o Ceilandense também, ambas se asseguram no Candangão 2020;

Se o Paranoá vencer e Ceilandense x Legião terminar empatado, a equipe confirma a vaga no Candangão 2020;

Se o Paranoá vencer e o Legião bater o Ceilandense, a equipe confirma a vaga no Candangão 2020;

Se o Paranoá for derrotado e o Ceilandense vencer, a equipe cai para a terceira colocação;

Se o Paranoá for derrotado e o Legião vencer, a equipe cai para a segunda colocação;

Se o Paranoá for derrotado e Ceilandense x Legião terminar empatado, a equipe cai para a segunda colocação.

Gabriel Lopes Mesquita

Apenas um rapaz latino americano. Como Eduardo Galeano, sou um mendigo do bom futebol. Eterno estudante do desporto.

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