Ainda sem clube, Victor Santana comenta demissão do Sobradinho

Ainda repercute na Região Administrativa V as saídas no comando do Leão da Serra. Além da renúncia do presidente Washington Borges, o treinador da equipe, Victor Santana, pediu as contas e se desligou do clube na última segunda-feira (20). Em entrevista ao DF Sports, o agora ex-técnico do Sobradinho comentou os principais pontos que culminaram no pedido de demissão em meio à Série D do Campeonato Brasileiro.

Segundo o treinador, não houve motivos extracampo na decisão de deixar a equipe. “O que houve foi um rendimento abaixo do esperado no Campeonato Brasileiro”, admite Victor. “Estreamos com derrota no Espírito Santo. Contra a Caldense, a equipe teve volume de jogo e não conseguiu marcar”, pontua, sem deixar de frisar que a renúncia de Washington não colaborou com a decisão, pois sairia “caso ele ficasse ou caso ele saísse”.

O ápice da péssima campanha do Sobradinho na Série D veio no último sábado (18), no estádio Augustinho Lima. O terceiro jogo do Brasileirão trouxe a terceira derrota da equipe, que ainda não balançou as redes. “Eu fui atacante, sei como é. Contra a Portuguesa eu tentei botar o time para frente, entrei com três homens de ataque e o time não rendeu”, lamenta Santana.

O pífio desempenho no certame nacional tem explicações além das quatro linhas. Em crise financeira, o Leão beira o segundo mês de atrasos nos salários da equipe. “O extracampo influencia. Às vezes, o atleta vai dar uma esticada e pensa no colégio das crianças, na esposa que tá em casa. Mesmo sendo profissional, treinando e se dedicando, influencia”, queixa-se o treinador, ainda sem clube após a saída do Leão.

Panorama

Ex-jogador, Victor Santana trocou os gramados pelo banco ainda em 2017, quando aceitou convite para compor a comissão técnica do Sobradinho. Em 2018, já no comando do plantel, Victor faturou o primeiro título do alvinegro em 31 anos. Foram três temporadas no Leão, entre auxiliar e treinador, o único clube do profissional na carreira como treinador.

Na campanha coroada com o título candango, Victor venceu 10 partidas, empatou três e perdeu quatro, com 24 gols marcados e 16 sofridos. O aproveitamento da equipe beirou os 65%. Mesmo na briga pelo bicampeonato candango, o Sobradinho não repetiu a boa campanha em 2019 e terminou no sétimo lugar geral, com cinco vitórias, três empates e cinco derrotas, com aproveitamento de 46,1%. A eliminação veio nas quartas de final, quando clube caiu frente ao Real FC.

Os baixos números no certame eram previstos. “A diretoria sabia que o rendimento não seria o mesmo. A gente não trouxe um único jogador, não tinha dinheiro para isso”, explica Santana. Quanto à Copa do Brasil, Victor culpa o regulamento. “Pegamos uma equipe de peso que é o América-RN e jogamos bem, mas o regulamento nos eliminou. Foi uma pena, porque a torcida compareceu, apoiou o time e aplaudiu no final do jogo”, lamenta.

Elenco unido

Victor Santana rechaça que a chegada de mais de 10 atletas vindos do Real FC após o Candangão tenha rachado o plantel alvinegro. Bancados pelo clube aurianil, os novatos não sofriam com atrasos no pagamento, diferente dos jogadores que estavam no Sobradinho desde o começo do ano. “É claro que gera um desconforto quando o atleta não recebe há dois meses e o companheiro dele tá com tudo em dia. Apesar disso, o elenco mostrou uma maturidade muito grande”, assegura o ex-comandante do alvinegro.

Perspectivas

Ainda sem clube, Victor diz não ter propostas de outras agremiações. Sem se abalar, o treinador pensa em renovar conceitos e ideias antes de voltar ao banco de reservas para comandar uma equipe. “Ainda não tenho nada na mesa. Meu foco é realizar alguns cursos, aprimorar meu trabalho e seguir crescendo”, finaliza Victor, que ainda torce pelo clube da RA V e ainda acredita na classificação.

Marcelo Gonçalo

Formado em Sistemas de Informação, optou pela carreira de Jornalismo a partir de 2008. Jornalista, comentarista e narrador esportivo, foi o principal repórter do site BloGama até 2018.

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