Semelhança a Bernard e desejo de jogar no Brasiliense: conheça Luquinhas, jovem que disputa a Primeira Liga de Portugal

Os amantes do futebol do DF estão acostumados a ver jovens jogadores se destacarem na Europa sem tê-los visto nos gramados de Brasília. Muitas vezes, só se percebe que o atleta é brasiliense depois do sucesso alcançado no velho continente. Nesta entrevista, o DF Sports apresenta um caso parecido. Conheça o jovem Luquinhas, da Samambaia Norte, para o mundo.

Luquinhas, também conhecido como Boizinho (mais tarde você saberá porque), tem 23 anos. Natural de Samambaia-DF, o veloz atacante está no futebol português desde 2014. Hoje, veste a camisa do Desportivo Aves, mas já esteve no Benfica B e no Vilafranquense. No futebol candango, passou pelas categorias de base de Brasília, Pró-Vida (Recanto das Emas), Plenitude (Samambaia) e Capital, clube pelo qual foi artilheiro em 2014 na categoria juniores, o que lhe rendeu uma oportunidade em Portugal. Oportunidade essa que Luquinhas agarrou para nunca mais soltar.

Fã do futebol do garoto Bernard, aquele mesmo que o técnico Felipão afirmou ter “alegria nas pernas”, Luquinhas aponta a velocidade como uma das suas principais virtudes. Não é de muitos ídolos no esporte: via no irmão, que acabou não virando jogador profissional, uma fonte de inspiração. Hoje, luta para manter o Desportivo Aves na Primeira Liga e pensa em viver em Portugal por muito tempo, mas ainda quer voltar ao DF para jogar no Brasiliense. “É um dos times que meu pai admira muito em Brasília. Ainda quero vestir a camisa do Jacaré”, confessa. Confira a entrevista exclusiva do DF Sports com o atacante Luquinhas:

Foto: Arquivo Pessoal

DF Sports: Como foi seu começo no futebol? Como você foi parar em Portugal?

Luquinhas: Como muitos garotos que sonham em ser jogador, eu já rodei esse Brasil todo. Saí de casa com 14 anos. Reprovei em muitas peneiras, mas continuei tentando. Até que, em 2014, joguei o campeonato de juniores pelo Capital e fui artilheiro. Um cara chamado Lúcio Flávio acabou vendo meu futebol, apostou em mim, me apresentou a oportunidade no Vilafranquense e perguntou se eu tinha interesse. Aceitei de prontidão e vim para Portugal. Joguei no Brasília, no Pró-Vida (Recanto das Emas), no Plenitude (Samambaia) e no Capital antes de vir para cá.

DFS: Descreva um pouco do seu estilo de jogo para quem ainda não teve oportunidade de te ver jogar… Em quem você se espelha na hora de botar a bola no pé?

L: A velocidade é um dos meus pontos fortes. Eu me comparo muito com o Lucas, do Tottenham, e com o Bernard, que tá no Everton. São dois jogadores muito rápidos. Gosto muito do Bernard porque me vejo nele, até pela estatura (Luquinhas tem 1,68m e Bernard 1,64m). Ele é um jogador muito rápido e inteligente.

DFS: E seus ídolos, quem são?

L: Não tenho jogadores que idolatro, para falar a verdade. Eu me espelhava muito no meu irmão, Rafael. Infelizmente, ele acabou não dando certo no futebol. Meu apelido (Boizinho) vem dele. Quando ele jogava, o pessoal falava que ele corria de cabeça baixa, feito um boi. Colocaram o apelido dele de Boi. Como sou mais novo, fiquei como Boizinho (risos).

DFS: Agora, falando um pouco de Brasil e Portugal. Quais as principais diferenças de lá para cá? Vivência, costumes, etc… o que muda?

L: Portugal é um país muito ‘top’ para viver. Quando cheguei aqui, precisei de um pouco de tempo para me adaptar ao fuso horário, mas me acostumei. Fui pegando os costumes dos portugueses e, quando pensei que não, acabei me apaixonando por Portugal. Tenho planos de ficar aqui por um bom tempo. A principal diferença é em relação a segurança. Em Portugal, eu ando às duas, três da manhã na rua sem preocupação alguma. É algo que não posso fazer no Brasil.

DFS: E as diferenças do futebol de Brasília para o futebol jogado em Portugal?

L: Não há como comparar. Aqui é futebol europeu, de fato. Os atacantes têm que voltar para marcar, agir com rapidez… O jogo aqui é muito rápido. Eu sempre comento com amigos e família sobre o futebol de Brasília, e falo que o que falta são as pessoas acreditarem no esporte. Brasília é uma mina de jogadores. Prova disso é que, hoje, vários jogadores do DF estão fazendo sucesso por todo o mundo.

DFS: Como foi jogar no Benfica, que é um time reconhecido em todo o mundo?

L: Lá eu realmente vivi meu sonho de jogar em um clube com uma mega estrutura de trabalho. Graças ao Benfica, fiz minha estreia nas ligas profissionais de Portugal, quando joguei a Segunda Liga pelo time B. Os torcedores do Benfica são fantásticos. Eles vivem o clube de verdade, entende? Enfim… foi uma das melhores experiências da minha vida.

DFS: Você retorna ao Desportivo Aves de empréstimo logo após o clube subir à primeira divisão pela primeira vez. Como é, para você, fazer parte deste momento histórico?

L: É uma felicidade muito grande. Também sou muito feliz por estar jogando uma Primeira Liga.

DFS: No Desp. Aves têm muitos brasileiros. Como é o contato/entrosamento com eles? Existe preconceito dos ‘portuga’ com vocês, ou é todo mundo tranquilo?

L: Ter muitos brasileiros no elenco é muito bom, porque a gente se sente mais solto. É como se estivéssemos no Brasil. Os portugueses não têm nenhum preconceito conosco. Pelo contrário, eles acabam caindo na nossa resenha (risos).

DFS: Pensa em voltar jogar no DF? Acompanha algum time daqui?

L: Eu sempre comento com minha esposa que tenho um carinho muito grande pelo Brasiliense. É um dos times que meu pai admira muito em Brasília. Ainda quero vestir a camisa do Jacaré, quando estiver perto de encerrar minha carreira.

DFS: Muitos garotos têm o sonho de chegar na Europa como você chegou. Se pudesse dar um conselho, uma palavra de incentivo, o que você diria a eles?

L: Nunca desista dos seus sonhos, só você pode realizá-los. O impossível é só questão de opinião. Mantenha a fé em Deus e trabalhe duro.

Marcelo Gonçalo

Formado em Sistemas de Informação, optou pela carreira de Jornalismo a partir de 2008. Jornalista, comentarista e narrador esportivo, foi o principal repórter do site BloGama até 2018.

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